Um Belo Par de Óculos
- Eu nem acredito que você veio...
O apartamento era tão pequeno que chegava a ser até estranho que no anúncio do site estivesse descrito como tal.
"Alugo Diária de Apartamento."
Era escuro também, mas isso, até onde ela pôde perceber, era culpa dele. Apenas o pequeno abajur da cabeceira estava aceso, contribuindo pro ambiente de aconchego, com o ar ligado, e as paredes vestidas no amarelado brando da O som dos carros e das pessoas nas ruas agitadas entrava sorrateiramente pelas frestas da janela fechada, encoberta pelas cortinas. Era pequeno, e nao era lindo, mas serviria perfeitamente.
- Desculpa o atraso! O Uber demorou demais! - Ela disse naquele jeitinho solto e amável enquanto olhava pra ele deitado cama, surpreendentemente, ainda vestido.
- Relaxa. - Ele falou sorrindo, tentando cativá-la ainda mais do que ela havia a ele.
- Impossível. - Ela sorriu e colocou a mochila em cima da mesinha em frente à janela, ao lado da geladeira, próxima a porta do banheiro - Pois, ei...
- Diz... - Ele sentou na cama, animado.
- Se eu te disser que esqueci? Deixei no armário do trabalho.
- Mentira... É mentira sua. Né...? - O sorriso genuíno não disfarçava o seu nervozismo. Não que ele fosse inexperiente aos pecados contemporâneos. Longe disso. Ele os ansiava. Acontece que só agora os dois encontraram um momento para, de fato, estarem juntos.
- É sério! - Ela respondeu. - Mas eu trouxe outras coisinhas, tipo... Aquela saia daquele dia no elevador... Aquele vestido do dia do carro no estacionamento, lembra?
- Lógico que lembro! - Ele respondeu ao se levantar e caminhar até ela. Colocou uma mão em sua cintura, e alisou seus cabelos macios com a outra. Em um momento, uniu os braços num abraço quente, e ela se deixou derreter no seu afeto. - Mas e os óculos? Esqueceu mesmo?
Ela, então, se distanciou um pouco, e colocou as mãos por de baixo da sua camisa, se permitindo sentir o calor da sua pele. Tocou seus lábios aos dele, que a desejavam como nunca, ela sabia, e lhe respondeu...
- Esquece os óculos, vai... Senta ali na cama. Não se mexe, e me espera.
Nao sem amtes roubar mais um beijo, ele a obedeceu. Pensou em tirar a camisa, mas pra quê agilizar as coisas? O momento era pra ser eterno, e a noite interminável. E ainda assim, antes que pudesse se dar conta, logo logo seria amanhã. Maldito seja o tempo e a sua pressa inconveniente, ele pensou enquanto sentava-se à beira da cama... E quando olhou para a porta do banheiro, não conseguiu conter a expressão de tamanha deliciosa surpresa.
- Relaxe... - Ela disse, apoiada contra a porta, com seus lindos cabelos negros lhe cobrindo os seios, completamente despida a nao ser por belo par de óculos.
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