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Showing posts from December, 2021

Happy New Year

 What are ya even doing here? Have a nice 2022, now go be beautiful... 

Cinco ou Dez Vezes

- Vamos começar pelo início, né? Como foi o seu dia? - Ah, foi tranquilo. Nada de novidade. Acho que consegui manter o controle. Tentei assistir a um filme, mas não pegou a minha atenção, sabe? Muito solta a história, e muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Acabei pausando e deixando pra depois. - Um filme, bacana. E... Quanto tempo ficou assistindo antes de desistir? - Uns dois ou três minutos. Por aí. - Dois ou três minutos? Pouquinho, né? Deu pra sacar que a história tava solta em tão pouco tempo? - É, talvez não... Posso ter me distraído. É uma possibilidade.  - Distraído. É o que eu acho também... Distraído pelo que? Por quem? - Acho que pelo exceço de tempo. Vai saber.  - E depois de ter destido do filme, o que aconteceu? Cedeu? - Não! Não cedi, não. Nem pensar. Posso até ter pensado nela, mas não fiz nada. Fui ler um pouco. Li umas três ou quatro páginas, e fiquei entediado. Cozinhei... Fiz uma merenda legal. Cuscuz e café com leite, mas comi pouco. Depois, acabei no ...

O Autor Desaparecido

- Eu escrevia pra te seduzir... - Começava assim a carta, do autor desaparecido, para a personagem. - Pra fazer com que me notasse de um jeito diferente que todos os outros me notavam. Contigo foi assim que eu quis que fosse...  A minha sorte foi ter te escrito de um jeito que te fizesse querer entrar na minha narrativa tanto o quanto eu queria te inserir nela... Dai passei a desenvolver contos e mais contos... Crônicas após cronicas, todas e tudo sobre nós... Onde iríamos, como seríamos e onde a ficção nos levaria... Entao, pensei em me juntar a ti. Afinal, Tudo me parece tão sereno e brilhantemente sedutor na minha ficção...  Eles nunca vão me achar, escondido e perdido entre mil páginas e intermináveis palavras, todas não só sobre ti, mas também, contigo.

O Truque da Cigana

 - Boa noite... Sente-se, e procure relaxar. - Ela repetiu as saudações como de costume. Eram as mesmas palavras que proferia para todos os clientes que vieram antes dele durante a feirinha anual. Ela mantinha a postura cabisbaixa e encurvada, para que pudesse enfatizar a velhice ao público, assim como os cabelos grisalhos, ressecados como os de uma peruca velha. Os seus olhos, escuros como o carvão que alimentava a chama da pequena fogueira a iluminar a tenda, lhe causavam desconforto quando olhava para cima, quase como lentes que arranham córneas, e por isso ela mal os abria, consequentemente, raramente se dando ao trabalho de olhar nos olhos de quem atendia... - Olá. Boa noite. - Que voz... Um homem, claro. Interessante? Talvez. Atípico? Improvável.  - Como posso ajudá-lo? - A voz propositalmente fraca e cansada ecoou pela pequena tenda, enquanto ela embaralhava e espalhava algumas cartas de tarô pela mesinha redonda que os separava. - Aí que tá... Eu não faço a menor ideia...

Plano de Fuga

- ... lembra disso?! - Um dos seus colegas sentado à mesa em frente a ela havia lhe feito uma perfunta, mas ela não o ouviu, distraída pelos olhares discretos, porém penetrantes, do homem na mesa ao lado.  Ele a olhava como se a conhecesse, apesar dela saber que não. Era intenso e real, mas nao passava de um olhar. Uma troca de faíscas que provavelmente jamais causariam um incêndio... Não se ela se comportasse. Acontece que naquela tarde, naquela confraternização, naquele momento, a última coisa que lhe passava pela mente era ser boazinha. Ela reparou quando, em seus olhos, ele a chamou pra que pudessem sair do restaurante juntos. Foi no momento em que ele pediu a conta. Ela respondeu de forma similar, porém como quem dissesse que não poderia sair naquela hora. Olhou para as duas duzias de colegas da empresa, como quem mostrasse que precisava estar ali. Ele, então, com uma caneta que pediu ao garçom, escreveu algo num guardanapo... Amassou, e deixou cair próximo a ela quando saiu.....

You Wanna Ride?

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- Hey... You wanna ride? – Foi isso que eu falei, e foi desse jeitinho que a gente se conheceu, sem mais nem menos. Eu vinha, em pleno calor de Julho, no meu carro descendo a interestadual 45 praticamente sozinho quando mais a frente, ao longe, vi os cabelos negros dela balançando ao vento. Pode ser que eu tenha acelerado um pouco, mas sinceramente não lembro... Diminuí a velocidade, e fiquei acompanhando os passos dela puxando a mala de rodinhas pelo acostamento, até que ela olhou pro lado, e eu fiz a pergunta. Ela lá, linda como eu havia suposto já de quase uma milha atrás, baixou um pouco os óculos de sol, e me deu uma encarada da qual nunca quero esquecer... Puxou um sorriso da ponta dos lábios, e me disse: - Definitely... - Well, let’s go! Ela veio animada. Abriu a porta e jogou a malinha pro banco de trás. Antes mesmo de perguntar qualquer coisa, conferi no retrovisor se vinha alguém por trás, liguei a seta e continuei meu rumo com aquela princesa do meu lado. - Thank you...

Um Belo Par de Óculos

 - Eu nem acredito que você veio...  O apartamento era tão pequeno que chegava a ser até estranho que no anúncio do site estivesse descrito como tal. "Alugo Diária de Apartamento."  Era escuro também, mas isso, até onde ela pôde perceber, era culpa dele. Apenas o pequeno abajur da cabeceira estava aceso, contribuindo pro ambiente de aconchego, com o ar ligado, e as paredes vestidas no amarelado brando da  O som dos carros e das pessoas nas ruas agitadas entrava sorrateiramente pelas frestas da janela fechada, encoberta pelas cortinas. Era pequeno, e nao era lindo, mas serviria perfeitamente.  - Desculpa o atraso! O Uber demorou demais! - Ela disse naquele jeitinho solto e amável enquanto olhava pra ele deitado cama, surpreendentemente, ainda vestido. - Relaxa. - Ele falou sorrindo, tentando cativá-la ainda mais do que ela havia a ele. - Impossível. - Ela sorriu e colocou a mochila em cima da mesinha em frente à janela, ao lado da geladeira, próxima a porta do ba...

Olhos de Nebulosa

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  - Não pensei que fosse voltar... Não do modo que se despediu.  Acontece que Mara era um tanto incomum, tanto no seu jeito de ser, como em sua fé no elemento mais tortuosamente maléfico do universo, o ser humano... E, consequentemente, ainda jovem demais, se deixou envolver por ele e suas histórias que, enquanto tomadas por falácias ou mera ficção, a encantavam além do que ela mesma gostava de admitir... A única prosa mais sensual do que um amor proibido, é aquela do amor impossível. Anjos e demônios. O sol e a lua. Deuses e mortais. - Não fazia parte dos meus planos voltar para cá, Mara. - Ele lhe disse enquanto se levantava da cadeira, já sem medicamentos correndo pelo seu sangue e livre do abraço sufocante da camisa de força, e caminhava até ela. Trazia no olhar desperto um fogo emanado por todo o seu desejo, que a deixava sem jeito... Deliciosamente sem jeito. - Eu sinto que já estive em todos os lugares, de todos os tempos, de todos os espaços... Fui até onde pude, e mer...