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Showing posts from March, 2022

Posso Entrar?

 - Olha, - Ele disse num olhar profundamente sério. - Eu sei que eu trago uma infinidade de traumas mal resolvidos que afetam o modo que a gente conversa e interage. Eu quase consigo ter plena consciência de todas as minhas manias, desde as mais internas até as mais linguísticas, que você tanto ama de um jeito tão estranho.  Mas... - Ele continuou se apoiando sobre a pia. - Talvez seja importante que eu deixe uma coisa bastante clara... Eu não tô afim só desse teu lado brincalhão, sedutor, e perfeito. Não! Eu não quero falar pra todo mundo que tô contigo porque gosto dos teus olhos somente quando eles sorriem pra mim de um jeito que enche meu coração de uma alegria que eu nem compreendo de tão gostosa. Não, não, não... É bem mais que isso! Eu gosto deles também quando me seduzem... Quando me veem logo no início da manhã... E até quando choram... Existe ai dentro de ti, - Ele prosseguiu. - Todo um capítulo o qual, pra mim, é óbvio que você não curte, mas eu não consegui sacar a...

Revelações

Se considerarmos até as horas, logo logo fará três dias exatos. Lembra? É como um sopro de uma lembrança distante, à qual eu consigo visualizar com uma certa facilidade esforçada... Quase um sonho que me parece ser fácil de lembrar, se ao menos eu conseguisse recordar.  Enxergo, nesta lembrança, a luz dos teus olhos escondida pelo escuro no qual estávamos tão deliciosamente inseridos, um no abraço do outro; no colo mais perfeito que poderia haver; no calor que tanto desejávamos; na melhor e na mais enebriante companhia.  Não sei sequer se você vai recordar, mas eu elogiei a tua beleza que, além de tanto me fazer bem, vinha, na consequência da minha viagem resgatada, se intensificando cada vez mais conforme as luzes frias da noite lá fora encontravam brechas entre as janelas pra beijar teu rosto delicadamente. Foi então que te revelei, enquanto meu coração parecia procurar um caminho pelo qual pudesse saltar pra fora de mim, os segredos derradeiros por trás das leituras dos con...

E Uma Flor do Deserto pra Marcar

Um Vislumbre em Sinais de Fumaça

Eles me encontraram entre a vida e a morte, sete dias depois de subirmos o rio no último sábado, cercado pelas árvores densas da mata virgem, que parecia tentar me engolir ainda vivo, talvez para que tentasse sugar para si o pouco que ainda me restava de força vital.  Lembro, quase como se sonhasse, que me carregaram gentilmente em seus ombros por uma trilha à qual nem eu nem meus companheiros - agora já todos mortos - havíamos conseguido localizar, e me levaram até a sua tribo, escondida e antiga, bem no coração da mata fechada.  Me alimentaram depois que acordei de um profundo e tranquilo sono ao qual suponho ter sido induzido de alguma forma ritualística. No ponto em que eu me encontrava, admito que nem mesmo rituais satânicos eu teria negado. E então... Tudo começou de verdade.  Dois homens altos e fortes entraram em minha pequena tenda, e me sugeriram gestualmente que eu os deveria acompanhar, e foi exatamente o que fiz.  Lá fora, a fogueira enorme parecia busca...

Tempero Exótico

 - Olha que hoje bateu uma saudadesabe de que? Daquele teu frango desfiado, lembra? - Ele disse entre um beijo e outro, induzindo-a ao erro. - Ahh... Uma saudade que bateu, foi? Do frango? -Ela respondeu desconcertada,já que momentos antes o revelou tudo o que ela mais gostava nele... O olhar, a pegada, o cheiro... Apenas pra que ele a respondesse com um comentário sobre.... O frango. - Pois que bom! Fico feliz. - Nossa, é muito bom. Eu pelo menos passei a vida inteira fazendo frango, e nunca fiz um daquele. Que sabor todo é aquele? - ele disse, lutando contra um sorriso debochado. - Sabor de galinha... Né? De proteína.  - Nããão... Tem algo a mais... Umas ervas finas? Um azeite extra virgem?  - É, - Ela pensou melhor e resolveu entrar na dança. - Se bem que tem mesmo uns temperos especiais. Ervas finas não, mas um orégano... Azeite sim! Boa... Coloral, claro. Adoro usar. Aliás, já que, segundo me dizem, o seu frango não fica assim, só pode ser poe falta de algum tempero, ...

Exceção à Parte

"Preciso de ajuda. Tá ai??" A mensagem fez o celular vibrar no chão na calada da noite, e ele despertou com o som familiar. Sendo um dos únicos contatos cujas notificações estavam abilitadas, só poderia ser ela.  "Não vou correr ctg na rua feito um cachorro perdido de manhã cedo, Talia. Isso não é treino. É loucura." "Me ajuda. É sério." Ela enviou. "Que houve?" Ele respondeu, com as pálpebras cerradas, tentando proteger os olhos da claridade da tela.  "Ñ sei se posso falar. Pode vir aqui?" Ela respondeu depois um breve instante.  "Que houve? Você tá bem? Tá em casa?" Ele digitou e apertou ENTER enquanto se sentava na cama, passando uma das mãos pelo rosto, buscando despertar mais.  "Tô. Você vem?"  "Vou, mas me fala o que houve." Ele enviou enquanto se levantava, já buscando uma roupa na cômoda.  "Se eu falar, acho que vc ñ vem." Ela respondeu. "Eu vou. Fala. É pra correr... né?" - Ele ...

Além de Sonhos Artificiais

 - Al-01... - Tina, a engenheira sênior de sistemas artificiais autônomos, disse numa voz rouca e cansada. - Aqui se encerra essa jornada pra mim, querido.  A lua insalubre de Liez, perdida entre as constelações, havia se tornado, há poucos dias, um cemitério para os destroços da enorme e imponente estação intergaláctica Nova Conquista.  A explosão havia iluminado, mesmo que por um breve momento perdido no tempo, inúmeros céus tomados pela escuridão constante, através de incontáveis mundos.  Numa manobra extraordinária de fuga, Catarina usou um dos módulos de emergência para escapar, mas acabou por ser vencida pelo azar quando os destroços da Nova Conquista forçaram seu pouso de emergência na lua de Liez, um ambiente nocivo e tóxico para formas de vida orgânicas.  - Como assim, Tina? - Disse Al-01, a mais recente e ousada criação da engenheira, que usou seus momentos finais de vida para sucatear peças e circuitos pela lua, afim de montar não só seu último amigo ...

Mera Superstição...?

 - Ai, eu não creio! O pó do café todo no chão! - Ela quase parecia querer se exaltar, se não fosse pelo sorriso bobo estampado à face enquanto buscava a vassoura e a pá. - Eu te disse pra ficar no sofá esperando. Muito metido mesmo, um ser humano desses.  - Opa! - Ele se pronunciou lá da sala, enquanto a admirava vestindo nada mais que a sua camisa preferida. - Essa tragédia aí não foi culpa minha não, hein! Você quem foi se mexendo e derrubou tudo.  - Me mexendo enquanto você me agarrava! - Ela respondeu já passando a esponja pela pia. - Cara, olha isso! Até dentro da gaveta dos talheres! Puta que pariu, viu! - Ela disse, novamente quase se permitindo exaltar naquela tarde de antes de ontem, se não fosse pela felicidade boba que a consumia por dentro e por fora, adormecendo seus sentidos para qualquer mera insatisfação.  - Quer que eu limpe pra você? - Ele se levantou e foi até ela enquanto oferecia a ajuda. - Não. Você já fez demais. - Ela se virou pra ele, repou...

O Labirinto Macabro

Eu até gostaria de mentir e falar que não faço ideia de como cheguei aqui, nesse labirinto. Seria tão confortável escrever isso logo na introdução, que eu cheguei a desenvolver todo um parágrafo só pra servir de base pra essa mentira. Mas aí... Pensei melhor, e me deparei com um pensamento tão puro que até me assustei... E se contigo eu fizer diferente? E se contigo... eu não mentir? Ainda dá tempo de não ler, e não sentir que perdeu tempo. Longe de mim supor que tem tempo sobrando por aí... Eu sei exatamente como e porque cheguei aqui, nessas encruzilhadas elaboradas cujas paredes possuem bordas afiadas feito lâminas. É escuro, frio, solitário... E adivinha só? Eu paguei pela entrada com uma generosa porção de felicidade. Isso porque na época, era o que me parecia certo e responsável.  Entenda... É muito fácil jurar abrir mão de uma vida inteira quando se imagina que não merece ou que simplesmente não encontrará a felicidade. "Eu sei que fiz uma promessa, mas eu não previa isso.....

Teu Sorriso Regado à Lágrimas

Eu nunca vou esquecer o teu sorriso regado à lágrimas... Eu lembro daquela plataforma naquele fim de tarde melancólico como se fosse ontem. O som ensudercedor dos incontáveis ônibus indo e vindo, que mal deixavam a gente trocar nossas últimas palavras um pro outro.  Eu lembro de o quanto você lutou bravamente contra as lágrimas que, poucos instantes após o nosso abraço, te escorreram o rosto incessantemente, quase como se dissessem o quanto a distância nos faria mal e causaria entre nós um precipício de uma frieza imensurável.  Te abracei forte, lembra? Entrelacei os dedos pelos teus cabelos úmidos, ainda daquele banho que tínhamos dividido um tempinho antes... E pesou no meu peito, como se uma mão gelada apertasse o meu coração, a saudade e o vazio que a tua ausência deixaria na minha alma... Foi bem ali, com todo o teu calor dentro do meu abraço, que eu quase chorei contigo...  Se ao menos eu lembrasse como era que chorava... Nos beijamos uma última vez, e naquele beijo...

Será Se...

Ele buscou, em meio às suas palavras, pontes que de alguma forma pudessem conectar os pontos que a sua mente arquitetava de forma tão bela... Mas que somente as palavras dela, mesmo temperadas em charadas, poderiam engenhar. Conforme a suz voz meiga tentava distraí-lo, ele foi montando um mapa mental, silaba por sílaba, palavra por palavra, até que a ponte se formou, e ele obteve uma compreensão que, de tão inesperada, o deixou sem chão....  Fora de si... Inebriado.  Intoxicado...  Atordoado pela grandiosidade daquilo que ele PENSOU ter escutado nas entrelinhas da sua prosa trazida na carona da sua deliciosa voz...  Ele cogitou confirmar... Mas não lhe cabia tamanha ousadia... Cabia? Tudo o que ele mais queria era aquilo... Aquela voz, aquele olhar... Aquele perfume... Aquele toque...  Ela. Inteira. Completa. Pra si. Pra ele. - Eu não posso ter entendido direito... Em algum momento desse teu discurso, eu deco ter sonhado acordado por cima da tua fala. - Ele diss...

Ponderando

 - Nossa... - Ela sussurrou, numa mistura homogênea de alívio e arrependimento. - Quase te falei algo agora, na impulsividade pura. No ímpeto da vontade. Puts! Ainda bem que perdi pro silêncio.  - Ué, a gente não acabou de combinar que não faria mais esse tipo de jogo? - Ele a questionou sorrindo, enquanto a rede que os comportava balançava suavemente conforme o vento da praia os acariciava naquele fim de tarde.  - Pois é... Eu sei. Mas é que era algo mais... - Ela buscou a palavra em vão, enquanto repousava o rosto no seu peito. - Nao sei. Era íntimo demais, sabe?  - Isso é uma pra ser uma justificativa? Pra mim, tá mais pra propaganda. Quanto mais você fala sobre, mais eu quero saber o que era. - Ele disse afundando os dedos nos seus cabelos negros, num cafuné que a derretia como menteiga aquecida. - Conta, vai... O que era?  - Ai, não sei. E se você sair correndo pela praia até sumir e não voltar mais? - Ela disse. - Mas eu posso fazer isso agora. Né? E aí, v...

- Fica...

Ela me pediu pra ficar mais um pouco. Aproveitar mais alguns momentos na cama, do lado dela... E me pediu com aquela voz meiga, e aquele olhar de pura sedução e romance que só ela sab-- aliás, nem ela sabe exatamente como faz, segundo ela me dizia.  Espiei pela janela do quarto, e reparei na escuridão da noite. Já era bastante tarde pra mim, e a madrugada, como os nossos fins de tarde juntos, se esgueirava de modo apressado pela ampulheta do universo. Não tem como explicar porque era que o Tempo se sentia tão ameaçado com aquela nossa paixão, ao ponto de quebrar as próprias regras, e se adiantar tanto sempre que eu a tinha nos braços...  Eu sorri, e resolvi voltar pra cama, do lado dela, ou entre as suas pernas, com uma mão na sua cintura e a outra.... Por trás dos seus cabelos negros. Me vi deixando me tomar pelo feitiço daquele sabor novamente, e então, tão frágil como uma promessa, eu a seduzi de volta, e nos entregamos um ao outro mais uma vez...  Eu não podia ficar.....

Insegurança?

 "Quer passar a noite aqui...?" Foi a mensagem que eu mandei no fim da tarde. Mas ela ainda não respondeu. Fazer o quê, né? Deve estar ocupada... Sei lá... Primeiro, às 18h, eu decidi que era cedo demais pra perturbar de novo. Não tinha, afinal, nem uma hora desde enviada a mensagem. Peguei no celular, abri a conversa dela, mas acabei deixando pra lá.  Depois de um tempo, às 19h, eu cogitei mandar um áudio... Coisa rápida. Comecei a gravar... Comecei com um 'boa noite' breve, e expliquei que ia pedir uma pizza e ver um filme, e que por isso arrisquei o convite, mas que não teria importância se ela não pudesse vir... Daí achei que a palavra 'importância' podia soar estranho, e pra evitar qualquer desentendimento, eu acabei cancelando o envio antes mesmo de finalizar a gravação.  Já por volta das 21h foi que eu resolvi decidir que uma pizza e um filme inédito eram toda a companhia que eu precisava... E daí se ela não viesse? Tranquilo demais. E daí se ela nem se...

Por Trás do Palco

 A cena encerrou-se perante a platéia, e as luzes se apagaram, espalhando a escuridão por todo o teatro. As cortinas esconderam o palco como de costume, e toda ação sorrateira começou com astúcia e dedicação sem iguais.  A árvore de papelão e folhas de papel machê foi rapidamente recolhida por dois ajudantes de palco. A torre do castelo, ao fundo, de MDF coberta com acervos de isopor colorido, se viu arrastada pelo figurante que interpretava uma das fadas perdidas. Todos os atores e atrizes, com exceção do mago das ervas, que dispensava a troca de figurino, silenciosamente se dirigiram, por trás das cortinas, para os lados de modo a trocar de figurino, enquanto outros, tais como o príncipe íntegro, a donzela meiga, a bruxa sarcástica e o ladrão incorrigível.  No caótico momento por trás do palco, estes mesmos quatro integrantes, guiados por dois ajudantes, trocavam de figurino e ensaiavam na mente as falas da última cena que estava por vir. A pressa e a correria, quase qu...

Divertido Diferente

 - Então antes não era divertido? - Ela o questionou genuinamente consternada.  - Não é isso. - Ele explicou. - Claro que era divertido. Sempre foi, desde a primeira troca de olhares. Mas era um divertido quente, entende? Mais físico do que qualquer outra coisa. Um divertido quase que de uma aventura cheia de uma malícia deliciosa. Sabe? Eu nem sei se faz sentido.  - Então agora não é nada disso? Não é mais quente... Não é mais cheio de malícia... - ela falou enquanto um sorriso gostoso se formava em segredo nos seus lábios. - Claro que é! - Ele respondeu, mordendo a isca. - Lógico que ainda é fudo isso, mas não somente. Foi evoluindo, caramba.  - Me explique esse divertido darwiniano, pr-- - Tá mais forte. Mais gostoso. Mais real... Não é mais só sobre chegar ao fim do dia e provar teu beijo. É sobre finalmente poder te ouvir... Olhar nos teus olhos e te ver olhando de volta desse teu jeitinho erguendo a sobrancelha direita em pura sedução mesclada com um semblante ...

Filme Repetido

 - Alien? - Ela o questionou quebrando o silêncio da madrugada, enquanto repousava, já não tão ofegante, o seu corpo suado sobre o dele, sentindo seu coração bater forte por ela. - Tem certeza...?  - Eu te pareço o tipo de cara que tem certeza de alguma coisa, que não seja o quanto eu te quero? - Ele a respondeu sorridente, quase se perdendo novamente no seu olhar.  - Tá. Pode ser. Vai. - Ela se rendeu.  - Não precisa ser esse. Pode ser outro. Quer sugerir algum? - Ele explicou. - Não, não, não... Eu quero ver um que você queira ver comigo. - Ela disse. - Que tal... Interestelar? - É muito longo? - Ela perguntou.  - Deixa pra lá... - Ele respondeu sorrindo, e recomeçando a busca. - Tenta sugerir um. Vai que eu tenho interesse de ver.   - Sabe um que eu gosto? Aquele de um cara que caça uns monstros. Sabe qual é? - Ela perguntou, se empolgando enquanto tentava lembrar melhor da premissa do filme.  - Van Hellsing, com o Hugh Jackman? - Ele perguntou...

A Garrafa de Água

 - Você encheu a garrafa...? Essa? - Ele disse tirando da geladeira uma garrafa plástica cheia de água gelada.  - Enchi sim. - Ela disse se deitando sobre o sofá da sala, e lançando seu olhar faminto e convidativo para ele.  - Mas você não bebe água gelada... - Ele sorriu de forma confusa. - Né? - Não. Mas você bebe. - Ela sorriu de volta. Né? - Você encheu a garrafa e colocou na geladeira... pra mim? - Soava estranho demais pra ele, tanta consideração.  Era de uma estranheza fora da sua realidade, pensar que em determinado momento daquela tarde de terça clandestina na orla da praia, num flat qualquer só pra eles, ela de fato deixou de lado o que quer que estivesse fazendo, e dedicou todo um instante só pra ele... E não havia sido a primeira vez! Eram pequenas ações, delicadas e gentis, que o tiravam de tempo. Um carinho inesperado conforme as unhas dela alizavam seus ombros...  Um travesseiro cuidadosamente posicionado sobre sua cabeça pra que ele não ficasse d...

Just Eyes

 - I just do eyes...  James Hong disse. Just eyes, eu repito pra mim mesmo dezenas de vezes antes de dormir. Como é belíssimo o modo absurdo pelo qual a função de "just" é aplicada neste contexto. Somente olhos. Quanta irrelevância cabe nos olhos de alguém? Ou nos meus? E principalmente nos teus...? Eu diria que nenhuma. Se eu proposse um desafio a ti, e também a mim mesmo, sendo eu um desses sádicos... O que é que pode ousar ser maior do que as janelas que tão acesso ao teu verdadeiro ser...? Just eyes... just gods... just love.

Decifrando... Ou Não.

 - De quantas formas diferentes você consegue contar a mesma história, - Ele quesionou o amigo enquanto os dois ignoravam a beleza natural do parque que os cercava. - sem de fato contar o que houve de verdade? - Sem contar o que houve? - Ele pensou enquanto perdia o olhar na pequena mesa que os separava. - Acho que de infinitas formas. Mas a questão não é nem contar a história sem falar o que houve. É contar de um jeito tão fictício e tão elaborado, que soe como fantasia ou desejo, quando na verdade, é tudo real e tangível... O modo mais fácil de enganar é contando a verdade. - Isso depende do modo que você a conta, né?  - Não mais do que o modo que você a ouve! - Ele admitiu sorrindo cladestinamente.  - Então faz o teste. - Ele o disse, quase que o desafiando pra um duelo verbal.  - Tem certeza? - Ele o questionou, sem saber ao certo se era alegria ou receio que lhe martelava o fraco espírito moral que ainda lhe restava. - Eu só preciso de uma confirmação. Como você...

"Tá tudo bem?"

- Não é te cobrando atenção. - Ela disse, quase irritada, se não estivesse genuinamente preocupada. - Nunca foi sobre isso... Eu te pergunto, adivinha só, porque eu me importo. Eu olho pra ti e me pego, desprevinida, me encantando com o teu olhar apaixonado, bobo, e sincero... E eu quero retribuir isso, sabe? Eu preciso retribuir porque eu também sinto essa vibe, e olha... É muito bom!  - Desculpe... Eu sem querer ignor--- - Não. - Ela disse o abraçando de forma quase agressiva. - Não foi sem querer. Foi pra não perturbar, que eu sei. Foi pra driblar o inconveniente. Foi pra fugir pra um terreno baldio das palavras. Mas pára com isso. Se eu te pergunto, é porque eu quero saber... Pra poder te fazer sentir o quanto eu me sinto bem contigo, e só assim, poder ser pra ti, um pouco do que você é pra mim.

Deliciosa Estupidez

É tão fácil descrever o estado em que eu me encontro quando penso em ti... É uma espécie de tempestade de sentimentos eufóricos que percorrem a minha mente e o meu corpo atreladas a um furacão de emoções às quais eu jurava já ter subjugado há muito tempo. Nem precisa me falar o quanto essa presunção, de me achar superior aos meus próprios sentimentos inertes, é indubitavelmente... absurdamente estúpida.  Se eu parar e pensar melhor sobre tudo, fico em dúvida... É uma espécie de receio irracional -  advindo de um mecanismo de proteção - que insiste em me empurrar contra tudo o que você já sussurrou baixinho no meu ouvido, me estampando nos lábios aquele sorriso malino que só você apontou até hoje. Dessa vez, pode ser que você de fato precise me falar o quanto esse receio é decerto uma ideia... ridiculamente estúpida. Acontece que quando eu estou contigo, o tempo passa como quem não respeitasse sequer as vontades alheias... Nem os desejos de terceiros... Nem o nosso tesão imensu...

Eu Acredito

- Ainda te resta alguma dúvida do tanto que eu gosto de ti? Não... Não é dúvida.  Eu acredito no teu olhar. No brilho que emana dos teus olhos quando te flagro, perdida, me olhando como se visse na tua frente uma das sete maravilhas do mundo.  Eu acredito no teu sorriso. Na inocência devassa que ele deixa escapar junto daqueles risos intensos e apaixonantes que você produz quase que sem querer.  Eu acredito no teu toque. Na delicadeza com a qual a tua mão me cobre de apertos apaixonados, arranhões de desejo e beliscões incontroláveis, que me arrastam todos mais pra perto de ti.  Eu sussurro baixinho pra ti, entre o apagar e o acender das luzes, os meus desejos mais sórdidos e as minhas vontades mais doces, na esperança improvável de que um dia eu as possa "desilenciar" pra ti sem a estranheza com a qual soariam agora...  Não, não é dúvida... É a cautela de acreditar que é bom demais pra ser verdade. 

Desfeito

 - Entendeu o que eu disse? Foi muito difícil te encontrar pra justo agora você não entender do que eu preciso! - Ela estava inquieta conforme trocava palavras com a cigana em sua tenda armada para o festival. - Ele já admitiu que foi contigo que falou alguns meses atrás pra que vocês fizessem uma espécie de encantamento romântico!  - Sim, sim! - A adorável moça confirmava enquanto posicionava alguns itens mágicos sobre a mesa. - Eu me recordo! Me lembro muito bem! Era um encantamento amoroso, e dos fortes, diga-se de passagem! - Pois você irá'desfazer! Irá desmontar! Desunir, desmanchar, desarrumar! Entendeu?! - Ela insistiu veementemente enquanto batia na pequena mesinha de madeira com o dedo indicador. - Eu não tenho mais paz... Penso nele o tempo inteiro, e mal consigo ouvir meus próprios pensamentos. Quando o vejo, então, aí tudo piora! - Piora? - A cigana perguntou preocupada.  - Sim! Demais! A vontade que eu tenho... É de... De pular nele e apertar aqueles lábios d...