A Garrafa de Água

 - Você encheu a garrafa...? Essa? - Ele disse tirando da geladeira uma garrafa plástica cheia de água gelada. 

- Enchi sim. - Ela disse se deitando sobre o sofá da sala, e lançando seu olhar faminto e convidativo para ele. 

- Mas você não bebe água gelada... - Ele sorriu de forma confusa. - Né?

- Não. Mas você bebe. - Ela sorriu de volta. Né?

- Você encheu a garrafa e colocou na geladeira... pra mim? - Soava estranho demais pra ele, tanta consideração. 

Era de uma estranheza fora da sua realidade, pensar que em determinado momento daquela tarde de terça clandestina na orla da praia, num flat qualquer só pra eles, ela de fato deixou de lado o que quer que estivesse fazendo, e dedicou todo um instante só pra ele... E não havia sido a primeira vez! Eram pequenas ações, delicadas e gentis, que o tiravam de tempo.

Um carinho inesperado conforme as unhas dela alizavam seus ombros... 

Um travesseiro cuidadosamente posicionado sobre sua cabeça pra que ele não ficasse desconfortável enquanto ela sentava em seu rosto... 

Um olhar perdido e apaixonado no meio de um filme que falhou em entretê-los. 

- Eu não consigo me acostumar com esse teu jeito. - Ele confessou.

- Que jeito? - Ela disse. 

- Esse teu jeito irresistível e cuidadoso. Esse teu jeito que me faz tão bem, mas que ao mesmo eu não tenho a menor prática em estar desse lado, sabe? Em receber isso tudo. 

- Isso tudo...? - Ela o indagou, levantando-se cheia de desejo, caminhando até ele, e envolvendo seus braços ao redor dos seus ombros despidos, marcados pelas suas mordidas. - Eu te quero como você me quer, love... Eu te beijo como você me beija. Eu te trato como você me trata.


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