Decifrando... Ou Não.
- De quantas formas diferentes você consegue contar a mesma história, - Ele quesionou o amigo enquanto os dois ignoravam a beleza natural do parque que os cercava. - sem de fato contar o que houve de verdade?
- Sem contar o que houve? - Ele pensou enquanto perdia o olhar na pequena mesa que os separava. - Acho que de infinitas formas. Mas a questão não é nem contar a história sem falar o que houve. É contar de um jeito tão fictício e tão elaborado, que soe como fantasia ou desejo, quando na verdade, é tudo real e tangível... O modo mais fácil de enganar é contando a verdade.
- Isso depende do modo que você a conta, né?
- Não mais do que o modo que você a ouve! - Ele admitiu sorrindo cladestinamente.
- Então faz o teste. - Ele o disse, quase que o desafiando pra um duelo verbal.
- Tem certeza? - Ele o questionou, sem saber ao certo se era alegria ou receio que lhe martelava o fraco espírito moral que ainda lhe restava.
- Eu só preciso de uma confirmação. Como você vai me forn--
- É a mais pura verdade. - Ele disse bastante sério e confiante.
Do outro lado da pequena mesa, ssu amigo sorriu como quem disesse "eu bem que imaginei...", até que, de um jeito incomum, sua expressão mudou um pouco, e o sorriso confiante cedeu espaço pra o que parecia ser um semblante de dúvida... "Mas se é verdade... Você confirmaria assim? E se for um modo de me guiar na direção oposta? Mas por que?" Ele parecia lutar contra suas próprias suposições, decidindo o que era real, o que era exagero e o que era sinplesmente... Ficção. Seus olhos cerraram e sua face se tornou mais séria... "A não ser que o intuito nao fosse proteger ou preservar somente a si... Neste caso... " e então os olhos arregalaram-se por um momento. "Neste caso, faz sentido que tudo fosse absolufamente real!"
- Eu acho que entendi. - Ele disse enfim.
- Eu também acho que sim. - Ele respondeu levantando as mãos. - Mas claro... Também existe a chance de estarmos falando de assuntos distintos, e acabamos achando nas paranóias um do outro, um apoio incomum e em comum.
- Existe a chance. - Ele admitiu a chance de derrota. - Mas eu entendo, e achei massa. Acontece que muitas vezes a narrativa toma conta da realidade, e de vez em quando, em algumas ocasiões, é justamente o oposto.
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