O Labirinto Macabro

Eu até gostaria de mentir e falar que não faço ideia de como cheguei aqui, nesse labirinto. Seria tão confortável escrever isso logo na introdução, que eu cheguei a desenvolver todo um parágrafo só pra servir de base pra essa mentira. Mas aí... Pensei melhor, e me deparei com um pensamento tão puro que até me assustei... E se contigo eu fizer diferente? E se contigo... eu não mentir?

Ainda dá tempo de não ler, e não sentir que perdeu tempo. Longe de mim supor que tem tempo sobrando por aí...

Eu sei exatamente como e porque cheguei aqui, nessas encruzilhadas elaboradas cujas paredes possuem bordas afiadas feito lâminas. É escuro, frio, solitário... E adivinha só? Eu paguei pela entrada com uma generosa porção de felicidade. Isso porque na época, era o que me parecia certo e responsável. 

Entenda... É muito fácil jurar abrir mão de uma vida inteira quando se imagina que não merece ou que simplesmente não encontrará a felicidade. "Eu sei que fiz uma promessa, mas eu não previa isso... Eu não esperava ser feliz."

Não encontrei a saída ainda. As várias curvas fechadas em arestas e ângulos quase impossíveis e confusos não me permitem tornar reais nenhuma das minhas deliciosas, porém frágeis promessas. Acabo pensando que talvez, de tanto andar por aqui a procurar, foi nessa aventura que aprendi a rir pra não chorar, e acabei me esquecendo de como que faz a última das ações citadas... Posso tirar isso da Cartola, sim?

É um labirinto, sim. Eu só não sei exatamente como foi que você entrou e acabou me mostrando que não era bem a saída que eu andava a buscar... E sim a mim mesmo. 


Obrigado. 

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