Alegria Clandestina
As portas do elevador se abriram e, aos olhos de qualquer observador, os dois entraram separados e despretenciosamente, quase que por mera coincidência, porém juntos.
Ela apertou um botão, e ele se escorou com as mãos nos bolsos. Lentamente então, as portas se fecharam enquanto que nas distintas mentes um do outro, eles rezavam pra que ninguém aparecesse subitamente como nos filmes, impedindo que as portas se fechassem completamente, e adentrasse, dolorosamente interrompendo o momento.
Fechadas as portas, seus olhares se encontraram, assim como suas mãos, seus corpos, e seus lábios. A saudade que os torturava durante os dias de ausência por um fio não explodia em paixão e desejo...
PLIM....
O som do primeiro andar se fez ouvir, e eles sabiam que tinham pouco tempo... Pouco demais pra tanto calor e impulso.
- Não dá certo... - Ela disse, pensando em recusar um beijo que ansiava mais que tudo.
- Eu sei. Eu não ligo. - Ele a respondeu enebriado pelo seu perfume.
PLIM...
- Vão perceber. Olha tua cara. Olha nossa cara! - Ela disse, o empurrando, mas se deixando levar com ele.
- Deixa verem, e daí? - Ele lhe disse sorrindo como um garoto livre das preocupações da vida adulta.
- E daí que...
PLIM...
- Felicidade alheia incomoda, sabia? - Ela prosseguiu. - Ainda mais juntos demais. Não dá! Parou! - Ela se virou, encarando a porta que estava prestes a se abrir.
- Parou, então... - Ele repetiu sussurrando no seu ouvido enquanto a abraçou por trás, colando seu rosto no dela. - com os beijos escondidos... Os abraços secretos... Os sorrisos dispersos...
Ela então, sentindo o elevador parando, apertou suas mãos que a seguravam pelo quadril, virou o rosto ao encontro do dele, e o beijou.
PLIM...
As portas se abriram, e os dois saíram juntos despretenciosamente, porém separados.
O sorriso nos lábios molhados um do outro era a mais devasse forma de expressão da verdadeira felicidade... Da real alegria.
A clandestina.
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