Até Que Chegue Sexta

Vai ser quase que uma eternidade, pelo menos aos meus sentidos, até que chegue sexta. E não é pelo final de semana, acredite se quiser. Existem coisas, situações, meios, e instrumentos mais importantes, que contribuem mais... Que me fazem querer, por incrível que pareça, que a sexta decidisse se juntar logo com a segunda.... Mas são coisas raras. Pessoas raras, pra ser mais exato. Beijos raros, pronto. 

Só de pensar que ainda é segunda-feira, eu sinto uma espécie de saudade que não tem quem explique de um jeito que possa sequer começar a parecer nítido, porque não é. É uma pintura abstrata que deixaria o dadaísmo espumando de inveja, beirando a lógica aritmética. É intolerável pensar que ainda estamos a quase quatro dias inteiros nos ver novamente. 

Estar aqui, dessa ponta da semana e você da outra, quase me causa uma sensação de melancolia familiar, que eu não sabia exatamente o que era ou de onde vinha, mas que era como se houvesse algo entre nós, uma espécie de obstáculo demasiado... Uma espécie de personificação dos dias, como uma representação! Um simbolismo... 

Eu me sinto como Charlton Heston em "Os Dez Mandamentos", enquanto você, sem dúvidas, seria a Terra Prometida... 

Tá bom, que não chega a ser um mar... Uma travessia hebraica... É uma sensação mais tangível, algo mais real, mais íntimo, porque eu quase que consigo esticar a mão pra poder pegar na sensação que vou estar contigo... 

Não, não chega a ser um mar... 

É um lago sereno, onde do outro lado, brilha brandamente uma luz verde, que me mostra o quão perto e distante estamos um do outro... Numa ponta eu, Jay Gatsby, e na outra você, minha Daisy Buchanan.






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