Cinema
- Com licença, moça... - Ele se aproximou educadamente por trás dela na pequena fila do cinema, e mostrou a tela do smartphone, que mostrava os assentos disponíveis para uma das sessões que estava para começar. Eram muitas, já que, além do shopping não ser um local tipicamente lotado, não eram muitas as pessoas que se viam na vontade ou possibilidade de estar no cinema em plena terça-feira a tarde. - Você consegue me dar uma ideia de onde se sentar? É que eu não conheço esse cinema muito bem. - Ele disse.
- Engraçado... Eu podia jurar que já tinha te visto por aqui antes. - Ela respondeu sorrindo, movendo uma mecha de cabelo para o lado. Os dois trocaram olhares familiares por um breve instante enquanto antes dela descer os olhos para a tela do celular, analisar por um momento a tela, e enfim o responder. - Eu gosto muito desses aqui, os mais altos. Mais privacidade, eu acho.
- Tá, entendi. Eu tinha pra mim que, numa sala vazia assim, em questão de privacidade, o ideal seria algo mais pro meio, bem central... - Ele disse como quem quisesse insinuar algo.
- Olha, pode ser também. - Ela disse, balançando seu vestido ao caminhar pra frente conforme a única assistente trabalhando nos caixas os chamava o próximo da fila. - Mas ai já depende de o que você quer fazer com essa privacidade. Eu, pelo menos, não arriscaria nada que pudesse distrair alguém nas fileiras mais de cima.
- PRÒXIMO! - A assistente gritou. A moça de vestido comprou seu ingresso, e o encarou uma última vez quando enquanto se distanciava do caixa.
...
Quando ele entrou na sala, lá estava ela, na fileira mais alta, agarrada a um enorme balde de pipoca. Ele subiu ao seu encontro, e ela o deu boas-vindas com seus mais enigmáticos e sensuais olhos. Antes que a sessão sequer começasse, e as luzes se apagassem completamente, a confortável penumbra da sala presenciou brevemente suas mãos se tocando quase que por acidente.
No decorrer do filme, mais do que suas mãos se tocaram. Ele deixou que sua mão encontrasse o toque macio de sua perna. Ela, por sua vez, delicada e gentilmente puxou a malha do vestido pra cima pra que ele a pudesse sentir na pele...
Conforme sua mão se encontrava e se deliciava entre suas pernas, ela trocou as pipoca pelo gosto dos seus lábios molhados. Carícias e arranhões encontravam-se pela escuridão da sala, mas não como antagônicos, e sim como parceiros do prazer.
Ela gemia e sussrrava em seu ouvido enquanto ele tocava sua calcinha, a puxando de lado ado pra melhor sentí-la...
Em determinado momento, quase pôde-se ouvir um zíper de calça se abrindo... era ela, ansiosa e impulsiva. Sabia o que queria desde o momento em que escolheu o vestido...
Era ele, porém, que a pegava com força pela cintura, puxando-a mais pra perto de si, sentindo no peito o coração bater, e na pele o calor úmido dos seus lábios...
Ali, no escuro acolhedor, os dois puderam se enxergar e se acolher completamente, um no outro, na luxúria e impulsividade de cada um...
- Eu nao fazia ideia que tinha uma cena pós-crédito nesse tipo de filme! - ele disse, surpreso, depois que ela insistiu pra que eles ficassem ate o último momento.
- Pois é, eu falei. Tá achando que eu não emtendo de filme também? - Ela disse, já se alongando pra poder se levantar.
- Que tal... Um jantar? - Ele sugeriu.
- Não dá. Amanhã preciso acordar cedo. Desculpa, tá? - Ela disse.
- Tá, mas... Olha, vem cá, - Ele disse, pegando na sua mão gentilmente. - Por que você não me diz teu nome?
- A gente nem se conhece direito... Sei lá. - Ela o respondeu buscando não ser fria demais.
- Mas ja é a quinta vez que a gente faz isso! Na primeira, tudo bem. Na segunda... Mas eu comecei a te procurar e você também, né? Admite.
- Sim, claro. Gostei de você. Do teu jeito. Tuas mãos... Teu olhar de quem não presta...
- Tá... - ele pensou por alguns instantes e sorriu com a pomta dos lábios sem querer. - Então me fala teu nome. Me passa teu contato! Qual o pior que pode acontecer?
- Ah, sei lá. Acho que vai acabar com o romance.
- Mas que romance...?! - Ele a indagou quase inconformado.
Ela levantou-se discretamente, ajeitou um pouco o vestido torto e sorriu lhe estendendo a mão:
- Exatamente!
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