Tempo e Cama

- Caramba, que horas sao..?!

Eu perguntei eufórico enquanto as mãos dela passeavam pelo meu corpo, me explorando e me acariciando. Nao tinha como saber quem era o beneficiado ali, debaixo dos lençóis da cama dela, na penumbra deixada pelas cortinas.

Eu ainda lembro da primeira vez que ela me chamou pro seu apartamento. Ainda me causa um frio no estômago e uma palpitação gostosa no meu peito... Lembro do modo meigo e sedutor com o qual ela sinplesmente me olhou e disse "passa lá em casa hoje... Fica a tarde inteira comigo." Meu corpo disse 'sim' antes mesmo que eu tivesse compreendido a pergunta. 

Naquela tarde infinita, aquele apartamento virou o palco de uma peça que teria deixado o próprio Marques de Sade orgulhoso... dentre outras  coisas. 

- Não sei, tanto faz... - Ela me respondeu, perdida entre meus braços, meu cheiro, meu abraço... 

Eu olhei em volta e achei um pequeno relógio na cabeceira... Que estranhament marcava 14:08h... Cedo... Deliciosamente cedo.

Me entreguei novamente ao abrigo dos lençóis, onde a encontrei deliciosamente entregue a mim, me desejando tanto quanto eu a ela... Seu corpo despido e delicado, como que desenhado pelo próprio erotismo, se contorcia conforme minhas mãos e meus lábios o percorriam lenta e intensamente.

Por vezes, ela tomou o controle, e se permitia me mostrar tudo o que havia imaginado antes de finalmente estar comigo... Me levou ao delírio usando seu calor, sua boca, e toda a sua sensualidade... Me olhava perdida, como quem quisesse se encontrar no meu olhar... Mal sabia que era eu quem buscava acolhê-la, só pra poder me apaixonar todos os dias, enquanto me perdia naquele romance proibido... Naquele calor que encontrávamos um no outro... Naquele íntimo e apaixonado sexo.

Vários momentos de erotismo e prazer se passaram, quando eu novamente me vi, num momento de sobriedade, pensando no tempo... 

- As horas... - Eu falei como quem acordasse de um sonho. Olhei novamente para o pequeno relógio enquanto o suor me escorria o peito... 

14:09h 

Impossível... Lembro que tentei protestar, mas ela me puxou de volta para si... E eu, claro, me deixei levar facilmente. 

Pude sentir cada beijo dos seus lábios. Cada aperto dos seus dedos... Cada espasmo do seu corpo... Mas admito que uma pequena parte de mim se mantinha presa ao mistério do tempo, que para todos os efeitos, parecia nao passar.

- Relaxa. - Ela disse me olhando daquele jeito que me deixa vulnerável. - Aqui nessa cama, as coisas fluem diferente... O clima, o calor... O tempo.

- Como assim...? - Eu a indaguei, sem saber se de fato queria uma explicação, ou simplesmente aproveitar a magia.

- É um segredo meu... Uma espécie de encantamento. Eu posso te explicar bem direitinho como funciona... - Ela disse, se levantando da cama, e indo até a parede. Meus olhos não a perderam de vista nem por um instante enquanto ela se inclinou contra a cômoda, de costas para mim. - Ou a gente pode aproveitar cada momento ao máximo, enquanto o encanto durar.

Será mesmo que eu preciso descrever aqui qual foi a minha escolha...?


Comments

Popular posts from this blog

Torniquete

Lounge

Olhos de Penélope