Uber

Ela nem parecia que queria, de fato, rachar aquele Uber... Acontece que no início, minha intenção não poderia ter sido outra que não fosse das mais obscenas. Quando vi ela naquele vestidinho amarelo, foi como se toda uma emoção presa nos confins dos meus sentimentos tivesse voltado... E já havíamos deixado claro, semanas atrás, que não haveria mais nada entre nós. 

- É esse, TED-0169... - Eu falei quando vi o Uber se aproximar do estacionamento. Era quase meio dia, e o sol não me deixava esquecer disso. Quando pedi o carro, marquei o endereço da minha casa, que por acaso, passava pertinho do apartamento dela... Que eu conhecia bem. Meu plano agora era simples... Convencê-la, no trajeto até a sua casa, a me chamar pra subir, ou simplesmente continuar no carro, e acabar indo comigo até a minha casa.

Entramos pela porta de trás. Ela ficou atrás do motorista, e eu ao seu lado... 

- Nossa, eu pensei que essa sexta nunca fosse chegar. - Ela disse, passando a mão pelos cabelos negros. 

- Realmente... Sensação que dá é que estamos ai tem quinze dias. - Eu respondi, deixando minha mão inocentemente repousar sobre a perna dela...

Ela me arremessou um olhar duvidoso, quase crítico... E colocou uma mão sobre a minha, em seguida, apertando um pouco, como quem me dissesse que também estava com saudades... 

Já que estamos só eu e você aqui, acho que vale mencionar... Eu nao sei até que ponto ela realmente sentiu minha falta. Existe, é claro, uma parte de mim que gosta de pensar que ela sentiu tanto quanto eu dela. O responsável por esse pensamento deve ser o coração, pois não tem neurônios. Quando pergunto o mesmo ao cérebro, a resposta vem diferente... Mas voltando ao assunto...

- Vai aprontar o quê hoje...? - Eu perguntei pressionando um pouquinho a mão contra a perna dela... Acariciando com vontade... Quase sentindo, pelo tecido do vestido, o calor que emanava daquela pele enebriante.

- Nada planejado ainda... - ela disse fechando um pouco os olhos brevemente... E depois os enviando para me encarar, enquanto repousava a cabeça contra o banco, expondo aquele pescoço que eu adoro... 

- Que tal se agente... - Eu sussurrei no ouvido dela enquanto dei dois ou tres beijos no seu pescoço, sentindo ela se arrepiar ao toque dos meus lábios. - Pensar em algo...? 

A sua mão então apertou a minha, que eu deixei subir pela sua coxa lentamente, até poder sentir sua calcinha por baixo do vestido, conforme ela afastava uma perna da outra discretamente... 

Da pele do pescoço, cheirosa e macia, consegui conduzir meus lábios até os seus, e ela chegou a me acariciar o rosto com suas unhas vermelhas enquanto eu a beijava... 

Durante o beijo, ela me sussurrou provocações inaudíveis... E minha mão encontrava uma breja em seu vestidinho, o que ela fez questão que acontecesse... Me apertou pelo pulso enquanto eu perdia meus dedos por dentro dela, sentindo todo aquele calor molhado que eu tanto senti falta... Aquele calor que me visitava nos sonhos, e me deixava delirando quando pensava nela em plena luz do dia...

Pude sentir os espasmos dos seus lábios e o aperto das suas unhas no meu pulso... Sua mordida no meu lábio inferior enquanto me puxava para beijá-la mais, e mais...

E então, inclinou o quadril pra frente como que esrivesse montando em minha mão, me mordeu os lábios com mais força e segurou um gemido que teria me enviado direto ao Paraíso... Abriu os olhos e pude me perder naquelas nebulosas castanhas por um breve momento de prazer e romance... 

- Moço, pode parar na próxima esquina, por favor. É lá onde eu desço. - Ela disse, ajeitando a postura, passando as mãos pelos cabelos, e delicadamente retirando minha mão debaixo do seu vestido...

- Você... Quer que eu desça contigo? - Eu a indaguei quando o carro encostou na calçada. 

- Não! - Ela disse abrindo a porta e descendo, depois de um infeliz beijinho romântico nos meus lábios sedentos. - Mas, muito obrigada pela carona... Eu adorei. 







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