Mal Acostumado
Ela não me acordou. Em vez disso, preparou nosso café bem cedo, sem me despertar, apesar do meu sono leve... Foi à cozinha, achou os dois pratos, e ajeitou a mesinha da sala pra gente. Mexeu na geladeira, pegou a goma e a manteiga... Preparou as tapiocas, e os ovos... Daí, de um modo tão carinhoso que eu nem sequer sei descrever ao certo, ela foi foi lá me acordar, com vários dos seus típicos beijinhos de bom dia... Beijos que ela bem sabia onde nos levariam...
- Que delícia... - Eu falei com a minha voz de sono, passando as mãos pelo seu corpo, sorrindo no escurinho do quarto, apesar da janela do quintal estar aberta, e o céu das seis nos espiando.
- Delícia é o nosso beijo. - Ela me disse, se deixando deitar novamente sobre mim conforme eu a puxava pra de baixo do lençol. - Fiz o café.
- Fez? - Eu indaguei, transbordando alegria...
- Fiz. Bora... Ou quer comer alguma coisa antes? - Ela disse, descendo os beijos quentes pelo meu queixo... pescoço... peito...
- Você não existe... Eu tô ficando muito mal acostumado com esse tratamento. - Eu admiti, enrolando os seus cabelos negros numa mão.
- Mal acostumado? Oh, meu bem... - Ela indagou com toda a sensualidade que a sua voz meiga lhe permitia. - Eu mal comecei...
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