A Minha Vontade Própria

- Egoísta? - Ela o questionou um tanto incrédula, trazendo naquela voz meiga e suave, uma pitada de acidez. Os olhos castanhos cerrados, inspecionando o rosto dele, na esperança de encontrar um vestígio que pudesse indicar que era tudo uma brincadeira... Porém, nada encontrou. - Tu parou a tua explicação... pra me falar que se acha egoísta por me mostrar as coisas que tu gosta?

Ele puxou ar como quem fosse fornecer algum tipo de resposta. 

- Não, não, não... - Ela o interrompeu, levantando-se da cadeira dele, segurando nas mãos uma das caixas colecionáveis de edição limitada de um dos seus joguinhos preferidos. - Nem adianta tentar começar a se explicar. Eu entendi o que você quis dizer, porque, pra variar, você pensa ou supõe que tá sendo inconveniente. Que tá me conduzindo, ou convencendo, ou sei lá, me guiando até alguma coisa que só você gosta. Agora, quer saber? Deixa eu te falar uma coisa... Eu não me deixaria ser conduzida, nem convencida, e nem tão pouco guiada até algo, alguém, ou alguma coisa, seja isso o que for, no qual ou na qual eu não tivesse algum interesse mínimo! Entendeu?

Ele pensou em responder, mas acabou se preocupando mais em discernir se as palavras dela eram de fato um argumento enfurecido, ou parte de um argumento válido, porém velado em singelos tons de brincadeira... O que não seria atípico dela... Mascarar algum tipo de raiva ou chateação em poucas ou muitas vozes de carinho ou sarcasmo simpático. Era o jeito dela de falar a verdade ao mesmo tempo em que procura não magoar. 

Estranho seria se eu não me apaixonasse por você...

- E nem precisa responder. - Ela continuou, enfim, revirando os olhos buscando demonstrar que a sua irritação era passageira, porém genuína. - O que você precisa entender mesmo é que eu tenho as minhas vontades próprias. E agora, aqui nesse momento, a minha vontade própria é a de ver, escutar, e entender tudo o que tu tem pra me falar sobre essas porcaria de jogo, desde que com essa tua empolgação genuína, charmosa, e gostosa que eu tanto amo! Agora, por obséquio, o sinhô continue de onde parou... 

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