Às 4 da Manhã
Ela acordou quase como quem não tivesse sequer dormido.
O frio da madrugada lhe fazia companhia enquanto a solidão velava seu sono conturbado até então... Era uma agonia estranha que lhe arranhava os sentimentos ligados ao coração... Uma espécie de saudade que ela preferia não admitir sentir.
Foi até a cozinha em poucos passos, e demorou alguns momentos até que finalmente desse fim ao copo d'água. Continuava a pensar nele, e não havia mais como, naquele momento, buscar um álibi que servisse a si mesma. Era a lembrança dele que lhe assombrava na noite fria e lhe roubava o sono de uma forma antagônica à qual ele tão carinhosamente a fazia dormir em seu colo.
Pensou em chorar, mas descartou o sentimento como quem recusasse uma ligação indesejada de algum presídio. Abandonou o copo na pia e seguiu de volta até o quarto, onde optou pela cadeira em vez da cama. Abriu o laptop e em dois cliques acessou as armadilhas literárias por ele armadas num passado distante, e lá deixadas quase que exclusivamente para ela.
Em algumas abas distintas, ela separou as suas preferidas, e sentiu novamente a dor da saudade lhe desferir um golpe no peito... Porém, quando se dispôs a lê-las... Não dava conta.
As letriyg nẽo fegiam sntigfo.... erng alkqeorl ner sogho... !!!
Foi então que percebeu e se fez enfim capaz de despertar do pesadelo, suspirando profundamente, lhe enchendo os pulmões com o delicioso alívio que sentimos ao nos livrarmos de um sonho angustiante.
O calor reconfortante da cama lhe fez lançar as mãos por cima dele, bem ali adormecido junto dela entre os lençóis, enquanto a Solidão os invejava, sorrindo tristemente, incapaz de velar sono algum, pois já tinham um ao outro.
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