Previsões e Recordações
Numa certa noite prazerosa e estranha, um tempo atrás, revelei que escondo, entre as intermináveis palavras, pequenas referências cuja maioria jamais chegará sequer perto de compreender, assim como também disfarço algumas narrativas reais como se fossem ficção. Umas são previsões, cuja minha presunção me obriga a tornar públicas, e outras são, acredite se quiser, recordações de eventos que se transcreveram, muitas vezes, tal qual as palavras descrevem.
São recordações.
E eu as disfarço de ficção.
Existe, é claro, um toque de transformação literária à qual eu admito que exploro com bastante amor e orgulho. Um café derramado na cozinha pode virar uma narrativa preferida.
Uma casa sem energia facilmente assume o manto de uma história à luz de velas...
Já um filme, ou até mesmo uma mera fala como um "fica", podem ser, imagine só a audácia, previsões de momentos os quais eu anseio... Se é que já não aconteceram.
Vez por outra, é claro, me vem uma saudade diferente da que sinto por ela, que é a de um conto capaz de se aproximar mais da minha escrita antiga, se é que isso existia antes do antecessor de Janeiro. Podem ser desafios amigáveis, que se transformam em narrativas apelativas e elusivas que falam sobre a luz, ou a mera consequência do meu desejo de explorar o sentimento de um andróide solitário num conto de ficção científica. Eu admito que nunca sei exatamente o que vai aparecer. Qual ideia será vislumbrada. Qual gênero será ofertado.
Quem será mencionado.
Quem participa da previsão.
Quem construiu, junto de mim, a recordação.
Comments
Post a Comment