Sem Contos
Numa realidade alternativa, eu não estou nem do teu lado, vendo você acessar esse conto, porque nunca te conheci.
Nessa realidade, você não conhece o meu sorriso malino que me deixa com os olhos cerrados. Aquele sorriso que você gosta, e que acabou contraindo também depois de um tempinho. O mesminho que derrete o meu coração.
Não sei explicar o quanto as coisas seriam diferentes, porque o escopo dessa ramificação se dá numa escala quase que universal. Não no que diz respeito ao cosmos... Mas em relação às infinitas realidades nas quais eu permaneceria sorrindo sem você. Sorrindo de forma incompleta, lembra?
Não seria apenas o sorriso. Todo o conjunto das nossas desventuras não seria sequer uma memória. Daí, cogite o seguinte pensamento... O que pode ser tão distante quanto uma memória? Um sonho? Será se você e eu, dessa realidade infeliz e alternativa, sonham conosco e com o nosso romance, sem reconhecer o nosso rosto? Será se eles acordam e falam...
- Nossa, sonhei com um cara que nunca vi, com um sorriso tão malino...
- Poxa, que sonho estranho, com uma mulher misteriosa... Não sei quem era, mas me encantei com os olhos de nebulosa que ela tinha...
Na realidade deles, no dia de hoje, por exemplo...
Não teria nossos beijos irrefreáveis e perdidos pela tarde a dentro. Não teria nossos abraços prolongados pela saudade de dois dias longe um do outro. Não teria um bilhete em baixo da televisão te esperando...
Sem drama... Seria um mundo desprovido da enorme e imensa sorte que foi te querer, e ser desejado de volta. Um lugar sem as encrencas de te desejar, mas também sem os frutos de me encrencar nesse nosso engraçamento.
Um mundo sem teus desafios literários de uma centena de contos. Sem teus encantos e teus sumiços.
Sem as tuas reações às melhores cenas de um filme selecionado. Sem tardes regadas a café e amor.
Um mundo sem você.
Um jogo sem pontos.
Um romance sem clichê.
Um blog sem contos.
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