Tapioca Peneirada

 - Prefere a goma peneirada? Ou... - Ele julgou, depois de ver o semblante de insatisfação tomando conta do rosto dela, que seria mais sábio nem terminar a frase. 

- Peneirada? É sério, isso? - Ela perguntou cruzando os braços. 

- É... Porque, assim, eu não ligo muito pra isso, né... 

- Ah, mas eu ligo, né?! - Ela esbravejou tentando manter a seriedade, e virando as costas para ele, de modo que pudesse esconder o sorriso. - Quer saber? Faz mais não. perdi a vontade. Vou comer meu iogurte mesmo.

- Mulher, - ele disse dando as costas para a frigideira quente, caminhando então até ela, e abraçando-a com numa mistura de amor e racionalidade. - Mas foi uma pergunta válida. Eu posso fazer do jeito que a siora achar melhor. Me fala de qual jeito você prefere, vai...

Ela, então, se virou de volta pra ele, e mantendo o semblante de seriedade, lhe disse...

- Como é que o sinhô prepara as suas tapiocas?!

- Esmagando as bolotinhas de goma com a colher, olha só... Assim... Não fica igualzinho à goma peneirada, mas fica meio que mais ou menos parecido. - Ele demonstrou.

- Pois então faz assim pra mim também, amore. 

- Fechado. - Ele finalmente começou a cavar a goma, com a colher de sopa, de dentro do depósito de sorvete reaproveitado, e a moldar a tapioca sobre a frigideira quente. 

Ela se aproximou das suas costas despidas, e lhe mimou com alguns beijos macios nos ombros. 

- Eu gosto de tudo que você faz... do jeito que você faz. Não inventa de mudar nada só porque é pra mim. - Ela lhe disse entre um beijo e outro. 

- Já que é assim, quer que eu faça um café também? - Ele perguntou audaciosamente. 

- Tá... Eu gosto de quase tudo que você faz. 

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