Estranho
Me explica esse adjetivo, jogado assim, tão solto e certeiro, quase perdido - se não tão acusativo, apesar de injusto - no final, longo onde, de uma despedida de um verso de amor. Me explica de um jeito que ilumine os meus pensamentos não como a lua se despeja sobre a floresta, mas como o sol toca o deserto.
Me explica sem os teus devaneios e meias palavras que fingem não dizer nada, mas que na verdade trazem a tua consciência velada. Me explica falando o que é que tem escondido entre uma sílaba e outra, no intervalo interminável entre um silêncio e outro.
Estranho é o desconforto que a ausência da tua voz me faz.
O silêncio perturbador que ecoa pelos oito cantos da casa.
A cama que sente comigo o frio da madrugada.
A melancolia que me acompanha até a porta.
Esse é o meu estranho. E o teu, qual é?
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