Observando e Contemplando
A Ilha sempre foi real.
Houve já uma série de expedições nas quais eu me joguei sem pensar duas vezes. Mentira seria se eu afirmasse que pensei ao menos uma vez antes de jogar as roupas na mochila e partir na direção dela. Da ilha, digo. Não se perca na narrativa.
No passado, é justo admitir que as viagens eram um produto de uma diversão sem medida. Um ato regado pelo sabor da aventura de se emaranhar com o perigo de toda aquela selvageria, que aos poucos foi se tornando o meu ambiente quase preferido. Será se é certo falar assim? Gramaticalmente?
As idas tendem a ser mais alegres que as voltas. Imagine que a balsa que me leva até lá demora cinco dias inteiros pra chegar, enquanto que na volta, é como um domingo que se estende por toda uma hora inteira... Tão sorrateiro e rápido quanto uma desilusão. Em verdade, eu odeio as voltas, e às vezes penso que sou um escravo das idas. Talvez isso, ousando um pensamento doloroso, mereça alguma espécie de revisão.
Existem incontáveis aventuras espalhadas pelo mundo, afinal. O balseiro, eu imagino, deve se perguntar com frequência por que é que eu, um rapaz tão bonito, estou sempre pra lá. Pode ser que bastasse uma boa expedição, sim? Algumas dezenas ou centenas de fotos marcantes que me ajudassem a lembrar...
Mas daí lembro que não sou lá nenhum historiador, e são raros os momentos nos quais me recordo que existem fotos... Se um dia me chamarem de 'clássico', eu vou gostar, mas pode ser um equívoco. Penso que vou além, quase pro 'medieval'... Apenas escrevo como me lembro dos acontecimentos, quase como o autor de "Lá e De Volta Outra Vez"... Sem stories, sem marcações, sem fotos.
Apenas aproveitando os meus amores na memória e no coração.
Observando-os e contemplando-os.
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