Suada e Com Fome

Uma gota de suor lhe escapou o rosto e se atirou sobre o piso do apartamento antes mesmo que ela pudesse entrar. 

A respiração ofegante, produto dos quatro lances de escadas intermináveis vencidos poucos segundos atrás, quase lhe distraía o suficientemente para que esquecesse que antes mesmo de um bom banho, precisava desesperadamente comer... 

- Amor? - Ela espalhou o som pelo apartamento, mas não obteve resposta. 

Alguns poucos passos a levaram até a porta do quarto, onde ela o viu, após abrir a porta delicadamente, dormindo profundamente, alheio às necessidades dela, o filho da puta, ela pensou.

Jogou o celular sobre o sofá. Expirou quase que extremamente irritada, e despiu-se ainda na sala. Tomou as roupas nos braços, e quando precisou cruzar a cozinha de modo a despejar as roupas na máquina, atentou num papeiro ainda morno em cima do fogão, acompanhado de um pequeno bilhetinho no qual os garranchos da caneta esferográfica liam...

"Amor, não consegui te esperar porque o dia foi puxado demais. Deixei aqui prontinho pra você, e do jeitinho que você merece, aquele mingau de aveia."

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