Escritos Diários

 Existe um motivo pra que um diário se chame assim. Acredite, eu sei. 

A escrita diária me aproximava, de um certo modo, de quem eu sentia uma falta imensurável. Na época, digo, eu imaginava ser assim. Quem nunca errou?

Acabei descobrindo um ciclo vicioso que eu nunca pensei que existisse... 

A saudade diária, suprida quase que religiosamente todos os dias, se tornou infinitamente superior quando os motivos, que me motivavam à escrita, se afastaram do meu toque. Você.

E, assim, eu fui deixando escapar a alegria de lhe escrever textos dedicados quase que exclusivamente a ti... A alegria que vinha principalmente das tuas opiniões diversas, escondidas no brilho do teu olhar quando você referenciava algo velado no texto do dia anterior... Se foi.

Eu perdi isso... Perdi a tua reação. Teu olhar, cedinho pela manhã, que me esperava com algum comentário a respeito do texto da vez. Meu texto. 

Teu texto.

A escrita diária servia pra me lembrar do quanto amo quase tudo a teu respeito, mas principalmente as tuas reações adversas.

Tuas suspeitas a cada parágrafo.

Tuas suposições, quase sempre certas. 

Teu olhar curioso e eufórico que me cobrava alguma confirmação... Que eu insistia em quase nunca fornecer.

A saudade parece que agora aumenta a cada sílaba... Mas sem teus trejeitos apaixonantes na manhã seguinte. 

Nunca foram apenas contos.

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