Café Sozinho

A água ferveu rápido hoje... Justo hoje. 

Lembro de situações nas quais passei o que me pareceram horas esperando o doce som das borbulhas na chaleira se fazer presente. Hoje, eu até que desejei que demorasse tanto quanto naqueles momentos... Mas foi tão rápido quando o arrependimento que se esconde sorrateiro atrás de uma decisão premeditada.

Hoje fiz café sozinho. Verdadeiramente sozinho... 

A próxima visita, se pelo menos uma vez tudo ocorrer como planejado, só deve bater à porta em questão de quatro dias. Eu só preciso de quatro minutos.

Eu juro que tentei gostar de café sem açúcar, pra tentar de alguma forma te impressionar ainda mais. Em minha defesa, entretanto, é uma das minhas mais preciosas válvulas de escape, esse café nem tão doce nem tão amargo... Quase uma ponte entre a ficção e a realidade... Um limbo onde eu até que não acharia tão ruim de transitar. Quem sabe?

Foi estranho fazer café sozinho. Sentir o cheiro tomar a casa pra si, enquanto a água inquieta dissolvia o pó no filtro, e lembrar que não vou te ver de novo.

Nunca mais.



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