Um Bosque Que Se Chama Solidão

Nessa rua, Nessa rua tem um bosque...

Onde eu cresci, de fato havia um bosque bastante extenso. Lembro que ainda muito novo flertava com a ideia de me aventurar por entre suas árvores e ousar me perder para quem sabe nunca mais ser encontrado. Ser esquecido, ou deixado pra trás, era algo que não só agitava o meu âmbito, mas como também, me acompanhava pela mão até a porta de entrada para o que hoje em dia nós chamamos de excitação. 

Que se chama, que se chama solidão... 

Não sei ao certo afirmar, mas talvez seja por conta da canção de ninar que eu sempre associei aquele e qualquer outro bosque à solidão. Se eu parar pra pensar no quanto esse conceito se tornou um parasita da minha alma, eu sinto até ódio de até hoje não ter sido capaz sequer de me acostumar à sua insuportável presença. 

Dentro dele, dentro dele mora um anjo...

Poderá haver, em toda a ficção ou realidade, uma criatura mais solitária, afinal? De repente, parando pra pensar... é até uma gentileza dormir sem camisa pra dar uma folga a quem já passa a eternidade em solidão.


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