Ousadas Profecias

Me chame de supersticioso, mas tem algo de sagrado nas palavras que juntas formam um texto, que quando unidos desenham uma coleção de memórias, confissões e, principalmente, profecias ousadas que tinham tudo para jamais tornarem-se realidade. 

Pensei de que maneira eu poderia anunciar o que está por vir, ou pelo menos alimentar a impaciência de quem ainda separa breves momentos dos seus dias para ler o que escrevo... E foi assim que a resposta me veio... Escrevendo. 

Profético quase que por acidente, já que o que fiz de fato foi meramente anunciar em palavras organizadas os planos que elaborei feito um cachorro perseguindo um carro, resolvi tentar mais uma vez, e foi assim que deu-se início a mais um destes contos confessionários que trazem consigo uma porção de lembranças, e um vestígio de... Ousadia.

Foi uma sensação muito além de sobrenatural quando te vi entrando pela primeira vez. Me vi novamente naquele lugar que eu pensava que existia entre o sonho e o real, mas que enfim é a mais pura realidade inesperada. 

Tua presença ali, na sala de estar, trocando olhares com o espelho da parede, munida do teu sorriso encantador, me chocou quase como um vislumbre do dia em que escrevi um conto sobre o quão encantado eu ficaria, no presente do pretérito, quando te visse comigo no apartamento pela primeira vez. Eu diria algo do tipo...

- E não é que aconteceu mesmo? 

Vocẽ, sendo como é, atenta aos títulos de letras maiúsculas, e íntima das tuas frases preferidas, provavelmente citaria, entre um sorriso furtivo e uma sobrancelha sedutora, o próprio título numa resposta que se seguiria mais ou menos assim...

- É... Se não são as tuas ousadas profecias, né?




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