A moldura
Havia uma mistura de cores particularmente encantadora naquela tela deixada por ele ainda em vida. Não era exatamente fácil de entender o que de fato estava disposto entre as cores pinceladas entre momentos de amor, saudade, e até ódio… Amor por ela; saudade do tempo juntos que não mais teriam; ódio por ter de partir.
Longas semanas passaram antes que Tarciane pudesse, num breve momento de distração, perceber e estranhar as pequenas inscrições encravadas na moldura de madeira do quadro aquarelado. Alguma espécie de símbolo ou grafia antiga, era o que pareciam, e ela os analisou e os estudou por um tempo, ninguém sabe ao certo se muito ou pouco, porém sem muito longe chegar no que diz respeito à compreensão da mensagem supostamente codificada.
- A tela é linda, eu sei. - Confortavelmente sentada ao sofá, Tarciane disse à irmã enquanto segurava uma taça de vinho branco. - Mas repara na moldura.
- Tem umas marquinhas, né? - A irmã lhe disse passando a ponta dos dedos pelas inscrições. - Que são, hein? Uma mensagem? Uma despedida?
- Mulher, - Tarciane respondeu entre um gole e outro. - Eu não consegui decifrar, não. Se fosse importante mesmo, era melhor ter dito antes do ocorrido.
- Gente, mas e se for alguma coisa importante? Sei lá… Uma caça ao tesouro?
- Tesouro dos outros é igual caixão. Desenterrou, fedeu.
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